A Linha 16-Violeta de metrô poderá custar aos cofres públicos em valores atuais cerca de R$ 16 bilhões contra mais de R$ 20,6 bilhões se fosse contratada pelo método tradicional, em que o Metrô licita os lotes das obras civis e sistemas e a própria empresa pública a opera.
Trata-se, portanto, de uma economia de R$ 4,7 bilhões, ou até mais, se for considerado um outro cálculo também recebido pelo governo (veja no final do texto)
A informação, obtida pelo site, consta de uma planilha produzida pela construtora Acciona e que serviu como um dos argumentos para que a Linha 16 fosse habilitada no rol de investimentos previstos pelo governo Tarcísio de Freitas (Republicanos).
O dado é baseado no chamado “Valor Presente Líquido” (VPL), um cálculo que traz para o cenário atual o saldo de investimentos, receitas e despesas durante o período previsto de concessão, nesse caso, de 30 anos.
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Para chegar aos valores, a Acciona estimou tanto o cenário tradicional quanto o de concessão do tipo PPP mista, em que a gestão pública arca com parte do investimento.
A rigor, o custo total mostrado na planilha mostra a opção estatal com um valor de R$ 28,4 bilhões enquanto a opção privada chega a R$ 43,7 bilhões. Porém, ao aplicar a taxa de desconto de 9,6% em ambos os casos, o VPL chega a R$ 20,6 bilhões e R$ 15,95 bilhões, respectivamente (veja quadro com os detalhes).

Nesse sentido, enquanto no modelo público há a entrada de R$ 3,1 bilhões em receitas tarifárias, também existe o pesado custo de construção, de mais de R$ 18,4 bilhões, e o custo de operação, que praticamente zera os ganhos. Por outro lado, o governo não paga impostos, o que é previsto na concessão.
O modelo privado, por sua vez, exige um aporte público de R$ 9,3 bilhões (45% do valor da obra) além de contraprestações a partir do início da operação, no 9º ano de concessão, que somadas chegam a R$ 10 bilhões – sempre observando se tratar do VPL e não dos valores nominais por ano.
O cálculo da Acciona abate também um valor de R$ 3,45 bilhões de impostos recolhidos para o estado e R$ 31,3 milhões de outorga, além de cobrar do governo um reembolso de R$ 41,2 milhões pelos estudos do Procedimento de Manifestação de Interesse (PMI), que será lançado em breve.

Dados diferentes
Segundo documento enviado pela Acciona ao governo, “a explicação para esse resultado se deve ao fato de que a obra contratada via Lei 8.666/93 (contratação por licitação) é mais onerosa e menos eficiente.”
A nota técnica da Secretaria de Parcerias em Investimentos (SPI), que analisou os dados e recomendou a aprovação da Manifestação de Interesse Privado (MIP), acrescentou que “diante das premissas acima elencadas, pode-se considerar que ao longos dos estudos haverá espaço para conferir maior vantajosidade à parceria“.
Curiosamente, as informações enviadas pela Acciona e que justificaram a aprovação do pedido trazem dados diferentes sobre o Valor Presente Líquido.
Enquanto a empresa cita no texto a economia de R$ 4,7 bilhões, uma tabela mostra um cenário ainda mais positivo, com um custo R$ 6 bilhões mais baixo para os cofres do estado.

Chamamento público em novembro
A Linha 16-Violeta deverá ligar em seu projeto final a estação Oscar Freire, no Jardim Paulistano, até Cidade Tiradentes, na Zona Leste, perfazendo uma extensão de cerca de 32 km e 25 estações.
No entanto, a Acciona propõe um trecho prioritário com 17 km e 16 estações entre Oscar Freire e a estação Abel Ferreira, a primeira após a conexão com a Linha 2-Verde em Anália Franco.
O trajeto também segue mais ao sul na região central da capital, atendendo a quatro parques públicos. É esperado uma demanda diária de 600 mil passageiros quando o ramal estivesse em operação.
Numa projeção otimista, isso poderia ocorrer em 2035 caso o contrato de concessão seja assinado em 2026, como planeja o governo.
O próximo passo do projeto é a publicação do Chamamento Público em novembro, quando outros possíveis interessados também poderão apresentar-se e realizados os estudos preliminares.
Nossa, quem diria que encurtar uma linha e impedir que ela chegue à periferia vai deixar a construção mais barata. kkkkkkkkkkk
É inacreditável o estado se curvar a uma empresa privada dessa forma e alterar o planejamento de uma linha por questões puramente financeiras. E o pobre que mora em Cidade Tiradentes que se lasque sem metrô.
Nenhum estudo do metrô indicou demanda de metrô na Cidade Tiradentes. Essa proposta de linha 16 lá foi puramente eleitoreira.
Ivo, não invente o que você não sabe.
Como que uma região afastadíssima do cento e muito populosa, como o distrito de Cidade Tiradentes (onde há muito menos empregos do que pessoas), não teria “demanda para metrô”?
Onde tem demanda para metrô? No Sumaré e Vila Madalena?
Brincadeira à parte…
Na Cidade Tiradentes há ainda mais demanda para metrô do que no Jardim Ângela (onde a L5 vai chegar).
E antes que eu me esqueça: o próprio estudo preliminar de projeção de demanda (futura) para a L16 completa em C.T., feito pela Cia. do Metrô de SP, é que demonstrou haver sim demanda para metrô na região (mesmo já com o atendimento do monotrilho da L15 lá também).
Você ao menos já viu o estudo? Pois eu sim!
Mas claro que a demanda é sim pendular. Não tem jeito. C.T. é bairro-dormitório, infelizmente!
Só que isto não é motivo para obrigar quem vive ali a passar boa parte de suas vidas perdendo tempo (e sofrendo) dentro de ônibus lentos, demorados e superlotados, para viajar vários km de distância até onde há empregos e tudo mais.
No entanto, essa história de que a L15 não daria conta sozinha em C.T. eu acho que não procede muito, pois se até agora a L15 não atingiu nem metade do carregamento de passageiros previsto até São Mateus e Jd. Colonial, não seria muito lógico pensar que em C.T. é que vai chegar a 100% do previsto (pelo menos não no médio prazo). Talvez no máximo colocaria a L15 no limite de sua capacidade, mas sem saturar.
Porém, desafogar a L15 no futuro (com a L16) é também desafogar a Estação Vila Prudente e a L2–Verde.
[Correção no 2º parágrafo]:
(…) afastadíssima do CENTRO*** (…)
Só complementando vc Victor, Cidade Tiradentes é um dos distritos mais populosos da zona leste, e segundo os estudos do Metrô a estação da Linha 16 – Violeta teria uma demanda de cerca de 70 mim pessoas
o especialista Ivo, como sempre , soltando suas pérolas.
a linha 16 tem um estudo de mais de 1000 páginas feito por 95 profissionais do metrô.
simplesmente foi jogado no lixo esse trabalho.
vc poderia argumentar com dados técnicos para discordar, mas sempre vem com o discurso de que é eleitoreiro
Um estudo que contraria 50 anos de estudos anteriores do mesmo Metrô.
É curioso como alguns defendem cegamente a Cia. do Metropolitano.
Qual contrariação é essa Ivo? Explique
Em 50 anos, Cidade Tiradentes cresceu muito.
Mas se você diz que lá não tem a tal “demanda de metrô”, então muito menos tem na Brasilândia.
Inclusive, pelas mesmas projeções de demanda, os números da Brasilândia são mais modestos que os da L16 na C.Tiradentes.
Por que estariam fazendo a L6 lá?
Bom… é a mesma Cia. que deu anuência para levar a Linha 2–Verde até a Dutra (e você concorda)…
Realmente não dá para levar a sério cegamente tudo que a Cia. do Metropolitano diz (ainda mais quando há decisões subjetivas dos planejadores técnicos a despeito dos dados objetivos e cocretos dos estudos de simulação de demanda).
concretos*
O Plano Integrado “PITU 2040” disponível no site da Secretaria dos Transportes Metropolitanos não apresenta nenhuma linha de metrô na Cidade Tiradentes além da Linha 15 (Produto 34 – Consolidação da Alternativa Selecionada) .
Segundo a análise da demanda da Linha 15 (considerando a Linha 15 Ipiranga- Cid. Tiradentes), seu carregamento não alcança 40 mil passageiros nem em 2040 (ano limite do estudo). Essa informação está no Produto 34 – Consolidação da Alternativa Selecionada.
No Produto 31 – Simulação e Avaliação das Estratégias Alternativas, a Linha 16 foi descartada para implantação antes da década de 2040.
Será que os técnicos do Metrô, CPTM, EMTU, SPTrans e da Secretaria de Transportes Metropolitanos estão errados em um plano que projeta a rede de transporte público da Grande São Paulo até o horizonte 2040?
É só o governo colocar com uma segunda fase ou forçar a empresa vencedora levar o metrô até a Cidade Tiradentes.
Boa! aí lá se vai toda a suposta economia kkkk
Precisam esticar uma estação após Oscar Freire e chegar em Teodoro Sampaio, onde as linhas 20 – Rosa e 22 -Marrom estarão também.
Bem como puxar só mais 2 km da L5 após Ipiranga, para encontrar a L2 novamente (em Orfanato), desafogando o trecho crítico da linha (entre V. Prudente e Ch. Klabin).
Assim como também puxar só mais 2 km de monotrilho da L15 de Ipiranga até a futura São Carlos, conectando-o, já no “curto” prazo, com a L6–Laranja também (que irá até ali), desafogando mais um pouco a Estação V. Prudente e a L2.
vai ser mais barato sim, pode acreditar kkkkkk
Nessa primeira fase o governo devia exigir que a linha fosse ao menos até a estação Rio das Pedras, ao lado da Avenida Aricanduva, para se interligar com o “provavel” BRT que vai passar ali.
4 bi mais barato, mas com custo de passageiro/km 4 vezes mais caro, como as outras linhas privads. É, parece um bom negócio mesmo, só que não.
por isso que tá mais barato , sumiu várias estações até Cid Tiradentes…
Sumiram 9 estações ao todos, e também algumas tecnologias q seriam usadas. A linha 16 seria um projeto inovador utilizando um mega-tatuzão a deixando com 4 vias, agora vai ser só uma linha como qlqr outra
e no final o governo vai pagar a mesma coisa ou mais pra iniciativa privada. sem falar que o lucro é a retirada das estações da periferia que são as que mais precisam.
Essa linha podia ir além da Oscar Freire, passando quem sabe pelo Sumaré (de onde partira um dia quem sabe uma linha para Cotia) e/ou até a Barra Funda. Aí sim teríamos uma rede mais eficiente.
É verdade esse bilhete…rsrs
Não existe isso de uma linha ficar R$ 5 bilhões mais barata. O papel aceita tudo. Na prática, haja reequilíbrio financeiro… Para uma linha ser mais barata, a empresa construtora deverá economizar em tudo o possível, porém o resultado lá na frente, todos saberemos…
O problema é que essa proposta da Acciona enterrar todo o planejamento que o Metrô para a linha, ou seja, o governo está deixando um ente privado planejar para ele.