Transporte metropolitano mais integrado foi tema de seminário na Assembléia Legislativa de SP
Participantes discutiram propostas para unificar tarifas e sistemas entre ônibus, trens e metrô na Grande São Paulo
Mais de duas décadas após a criação do Bilhete Único na capital e anos depois da expansão das integrações entre ônibus, metrô e trens, passageiros da Região Metropolitana de São Paulo ainda enfrentam tarifas adicionais ao cruzar limites municipais ou utilizar sistemas operados por diferentes entes públicos. A questão voltou a ser debatida na semana passada durante um seminário realizado na Assembleia Legislativa de São Paulo.
O encontro reuniu especialistas em mobilidade, representantes políticos e integrantes da sociedade civil para discutir formas de ampliar a integração entre os diversos sistemas de transporte coletivo da Grande São Paulo, formada por 39 municípios.
Entre as propostas discutidas esteve a criação de um sistema metropolitano mais integrado, com possibilidade de tarifa única e uso de um único meio de pagamento para viagens que envolvam ônibus municipais, linhas metropolitanas, trens e metrô.
Embora existam integrações tarifárias em diversos pontos da rede, elas permanecem limitadas. Em muitos deslocamentos entre municípios, os passageiros precisam pagar uma nova passagem ao trocar de operador ou de sistema, elevando o custo das viagens e reduzindo a atratividade do transporte coletivo.
Trem da Série 8500 da CPTM (CPTM)
O tema ganha relevância em um momento em que o governo estadual avança com novos contratos de concessão ferroviária e amplia a participação da iniciativa privada na operação do transporte sobre trilhos. Apesar das mudanças operacionais, a integração tarifária continua dependendo de acordos entre prefeituras, governo estadual e operadores.
Durante o seminário, representantes do setor apresentaram alternativas tecnológicas para viabilizar uma integração mais ampla. Uma delas é a chamada bilhetagem baseada em conta, modelo em que os créditos ficam vinculados ao usuário e não a um cartão específico, permitindo maior interoperabilidade entre sistemas distintos.
Também foi discutida a proposta de um marco legal para o transporte público coletivo, que prevê mecanismos para incentivar a formação de consórcios metropolitanos e regionais. A ideia é facilitar a coordenação entre municípios e estados na gestão dos serviços e na definição de políticas tarifárias.
Apesar do consenso sobre a necessidade de ampliar a integração, a implementação de uma tarifa metropolitana unificada esbarra em questões complexas, como a divisão das receitas entre operadores, a compensação financeira entre diferentes sistemas e a necessidade de subsídios públicos para evitar aumentos de custos. Esses obstáculos ajudam a explicar por que a integração plena do transporte coletivo na Grande São Paulo segue sendo discutida há anos sem avanços significativos.

Quem fala demais, dá bom dia a cavalo!